Entre los dioses, sacuden a todos las befas de Momo.
Entre los héroes, Hércules da caza a todos los monstruos.
Entre los demonios, el Rey del Infierno, Plutón, oprime todas las sombras.
Mientras Heráclito ante todo llora.
Nada sabe de Pirrón.
Y de saberlo todo se glorifica Aristóteles.
Despreciador de lo mundanal es Diógenes.
A nada de esto, yo Agrippa, soy ajeno.
Desprecio, sé, no sé, persigo, río, tiranizo, me quejo.
Soy filósofo, dios, héroe, demonio y el universo entero.

NETTESHEIM, Agrippa deDe Incertitudine et Vanitate Scientiarum

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oh chega oh eu no meu quarto sozinha Electra também eu sou e sua queixa em Micenas Brunehilde também eu abandonada na ilha de fogo Isolda eu também suplicante uma idiota também eu sou Éliane também às vezes enfim um pouco tola com seus risos intimidados insolentes não importa é a verdade ridículas nossas cenas de teatro no sótão eu Fedra ardente Éliane a confidente eu Desdêmona a cretina ela Otelo oh realmente cretina a Desdêmona sempre choramingando sem saber se defender eu teria posto Otelo na linha porco mouro dança de batuques você não compreende que foi tudo inventado por Iago você é um idiota meu caro não posso lhe contar ele está tão satisfeito com a situação seria uma catástrofe ele estava tão contente porque o sujeito falou com ele e depois pena quando o chefe lhe chamou a atenção e depois sem coragem de prejudicar sua promoção meu nariz é muito bonito espécie de vadio idiota com sua história de olhos de peixe morto uma garrafa na cabeça como há pouco sujo mentiroso meu nariz é absolutamente normal tem caráter isso é tudo enquanto o seu é enorme e se o nasal de sinagoga agrada Haggard que ela o cubra de beijos em todo o seu comprimento e que faça bom proveito pois levará uma hora para terminar a menos que não se enganche nele fisgada como um peixe às vezes Éliane representava Hipólito às vezes Enone a outra uma única vez sim aceitável afinal certamente mas depois muito pouco aceitável eu sou anormal mas se se se é por causa da amizade pelo menos isso em minha vida e também o orgulho idiota de ser desejada por algum babaca oh eu disse um palavrão por alguém de quem podemos sim nos divorciar

COHEN, AlbertBela do Senhor

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Hoje, à tardinha, acabado o jantar, enquanto esperava a hora do Cassino, estirei-me no sofá e abri um tomo de Plutarco. V. Exª, que foi meu companheiro de estudos, há de lembrar-se que eu, desde rapaz, padeci esta devoção do grego; devoção ou mania, que era o nome que V. Exª lhe dava, e tão intensa que me ia fazendo reprovar em outras disciplinas. Abri o tomo, e sucedeu o que sempre se dá comigo quando leio alguma coisa antiga: transporto-me ao tempo e ao meio da ação ou da obra. Depois de jantar é excelente. Dentro de pouco acha-se a gente numa via romana, ao pé de um pórtico grego ou na loja de um gramático. Desaparecem os tempos modernos, a insurreição da Herzegovina, a guerra dos carlistas, a rua do Ouvidor, o circo Chiarini. Quinze ou vinte minutos de vida antiga, e de graça. Uma verdadeira digestão literária.

Foi o que se deu hoje. A página aberta acertou de ser a vida de Alcibíades. Deixei-me ir ao sabor da loquela ática, daí a nada entrava nos jogos olímpicos, admirava o mais guapo dos atenienses, guiando magnificamente o carro, com a mesma firmeza e donaire com que sabia reger as batalhas, os cidadãos e os próprios sentidos. Imagine V. Exª se vivi! Mas, o moleque entrou e acendeu o gás; não foi preciso mais para fazer voar toda a arqueologia da minha imaginação. Atenas volveu à história, enquanto os olhos me caíam das nuvens, isto é, nas calças de brim branco, no paletó de alpaca e nos sapatos de cordovão.

ASSIS, Machado deUma visita de Alcibíades. In: 50 Contos de Machado de Assis

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Aquelas visitas lembravam cenas em antigas estelas gregas que mostravam tanto o defunto como seus parentes vivos que erigiram o monumento. Mas nesses monumentos há sempre uma pequena linha divisória separando este do outro mundo. Os vivos olham ternamente para o morto que volta os olhos, nem tristes nem alegres, para o Hades, com uma expressão serena de quem sabe demais.

SOLZHENITSYN, Alexksandr IsayevichO Primeiro Círculo

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Pensou então eu sua filha, Clódia – a Cló, em família – em cujo temperamento e feitio de espírito havia estofo de uma grande hetaira. Lembrou-se com casta admiração de sua carne veludosa e palpitante, do seu amor às danças lúbricas, do seu culto à toilette e ao perfume, do seu fraco senso moral, do seu gosto pelos licores fortes; e, de repente e por instantes, ele a viu coroada de hera, cobrindo mal a sua magnífica nudez, com uma pele mosqueada, o ramo de tirso erguido, dançando, religiosamente bêbeda, cheia de júria sabrada de bacante: “Evoé! Baco!”

BARRETO, LimaCló

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– Mas que pensas tu? O cordão é o Carnaval, o cordão é vida delirante, o cordão é o último elo das religiões pagãs. Cada um desses pretos ululantes tem por sob a belbutina e o reflexo discrômico das lantejoulas, tradições milenares; cada preta bêbada, desconjuntando nas tarlatanas amarfanhadas os quadris largos, recorda o delírio das procisões em Biblos pela época da primavera e a fúria rábida das bacantes. Eu tenho vontade, quando os vejo passar zabumbando, chocalhando, berrando, arrastando a apoteose incomensurável do rumor, de os respeitar, entoando em seu louvor a “prosódia” clássica com as frases de Píndaro: salve grupos floridos, ramos floridos da vida…

RIO, João doCordões. In: A Alma Encantadora das Ruas

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para curar um amor platônico
só uma trepada homérica

KAC, Eduardo

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